28/07/16

Avós e netinhos



Por Paiva Netto

Há tempos, a Ph.D. em neurociências Suzana Herculano-Houzel apresentou oportuna reflexão sobre o sentido de família, no seu artigo publicado na Folha de S.Paulo, em 29 de abril de 2014 (terça-feira). Intitulado “Avós e netinhos”, ela escreveu sobre as vantagens evolutivas do envelhecimento saudável, em especial na interação entre as gerações. Citou pesquisa do neurocientista Stephen Suomi, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos EUA. O que ele e seu orientador Harry Harlow (1905-1981), descobriram? Ao estudar filhotes de macacos reso criados sem mãe e sem carinho, perceberam que eles cresciam com uma série de distúrbios sociais e de ansiedade. No entanto, quando conviviam com macacas e macacos idosos, cuidadores experientes e carinhosos, isso resgatava o desenvolvimento dos bebês. Esse processo, sob a condição de ser um gesto espontâneo dos primatas, isto é, com o direito de ir e vir, também recuperava a saúde física e mental dos mais idosos, fazendo alguns deles assumirem o papel de pais.

Diante dessas evidências, a cientista brasileira concluiu com apurada sensibilidade: “Avós voluntariamente carinhosos, portanto, ajudam não só a educar a nova geração como ainda a fazer vingar netinhos saudáveis e bem integrados socialmente — e, de quebra, os avós se mantêm revigorados por serem úteis aos netos. Eu bem sei. Perdi minha avó no começo deste ano. Cresci ouvindo-a dizer, sempre hiperbólica, que estava à beira da morte —mas ela manteve a saúde de um touro enquanto teve netos e bisnetos por perto para cuidar. Consolo-me, então, pensando não nos anos que perdemos, mas nos 40 anos em que tive o privilégio de crescer com uma avó que me ensinou música, tricô, costura, empadão e leite queimado; que me divertia não engolindo sapo algum e dirigindo feito uma louca até os 80 anos e tantos anos —e que sempre teve colo para mim e, depois, para meus filhos”.

Belo testemunho, dra. Suzana. Sabemos que sua avó, onde quer que esteja nesse imenso espaço sideral —pois cremos que os mortos não morrem —, deve ter se comovido com sua homenagem.

Como já afirmei em tantas ocasiões: Amor faz rima perfeita com mãe. E posso acrescentar: com avós também. É a base da Família; logo, o sustento do mundo.

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