17/10/16

A educação vai mudar, de novo



Por Luiz Carlos Amorim 

A educação brasileira está falida, não só o ensino médio, mas toda a cadeia. Ela foi desconstruída, destruída nas últimas décadas, por governos irresponsáveis, sem um mínimo de senso público e comprometimento com o futuro de nosso país e de nossa gente. Fizeram sucessivas mudanças oficiais na educação, no ensino de maneira geral, que não foram para melhor, pelo contrário. Hoje temos crianças no 3º. ou no 4º. anos do primeiro grau que não sabem ler e escrever. E temos alunos de séries mais altas que não sabem se comunicar através da escrita e, às vezes, até através da fala.

Então, para salvar a educação brasileira da falência total – aleluia! - o governo aparece com uma Medida Provisória para a Reformulação do Ensino Médio, que prevê a flexibilização do currículo e, consequentemente, do conteúdo e de tudo o mais. Tudo vai mudar, conforme o nosso Presidente Temer. Temerário, não? Trocadilho infame à parte, a pergunta que nos vem é: a “reformulação” vai melhorar ou piorar o que já é ruim? Há que se prestar bem atenção no que tivemos até aqui e no que se propõe.

Hoje, os estudantes do ensino médio tem 13 disciplinas compulsórias. Com a nova diretriz, o aluno poderá (ou deverá) escolher de cinco áreas a que mais lhe interessar: linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e/ou ensino técnico. No primeiro ano, as matérias serão as mesmas para todos os estudantes, mas ao término dele terão que escolher uma área para os próximos anos. Cinquenta por cento do currículo terá que obedecer à Base Nacional Curricular Comum, quando ela for aprovada, pois ainda está em vias de estudo e não se sabe quando vai ficar pronta. Talvez para 2017, o que significa que a implantação da medida será para 2017 ou 2018. Os outros cinquenta por cento do currículo será definido pelas redes de ensino, particulares e públicas. Muito vago. Matérias como Matemática, Português e Inglês (língua estrangeira) serão obrigatórias em todas as áreas.

Outra promessa da medida é elevar a abrangência do ensino integral para os estudantes de segundo grau. O prometido é aumentar de 800 para 1400 horas anuais de aula, tornando o ensino integral. A meta é alcançar 25% dos estudantes brasileiros do ensino médio até 2024. Hoje este índice é de apenas 6%.  Com que dinheiro é uma incógnita, pois os Estados estão falidos e eles são responsáveis pelo ensino público. E a União diminuiu a verba para a educação.

A verdade é que o Ideb teve o pior resultado dos últimos tempos e o Enem confirma o que dissemos lá em cima: o ensino médio tem o mais desastroso resultado. A nova medida mudará isso? Há muitos questionamentos que não foram respondidos.

A impressão que a nova medida provisória deixa é de economia, com a nova sistemática de cinco áreas para o ensino médio. Com menos disciplinas, precisaríamos de menos professores. Será? Mas como serão oferecidas todas as áreas? Todas as escolas terão todas as áreas para oferecer ou cada escola terá uma ou outra área? E quão longe estará do estudante a escola com a área que ele escolher, para depois do primeiro ano de segundo grau? Quais as matérias que cada escola oferecerá em cada área, já que metade será escolhida por ela? Haverá equiparação entre as mesmas áreas oferecidas em diferentes escolas, sejam elas públicas ou particulares?

E a história de que prevalece a “experiência” para os professores da área técnica (só a área técnica?), não significa que os professores não terão a qualificação necessária? Já vemos a falta de qualificação, de valorização, de remuneração entre os professores do primeiro grau, talvez a etapa mais importante da educação, pois é onde tudo começa, é a base de tudo. 

Há muitos senões e as perspectivas de futuro para a educação brasileira só ficam mais negras, mais inseguras, mais confusas. Prometem muito, mas mudam para pior o que já está péssimo. Há que se pensar muito no futuro da educação e no resgate do ensino em nosso país. Ela, a educação, precisa mudar, mas para melhor, para melhorar a vida do cidadão brasileiro. Está faltando consistência, e muita, na tal medida provisória. E não sou eu que estou dizendo o isso. O Brasil inteiro está protestando para fazer entender isso.

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