09/01/2017

Coluna Olho Vivo

Por Simorion Matos

SEM VOZ
Não é dos melhores o crédito do Governo do Estado da Paraíba com as emissoras de rádio. A ASSERP – Associação das Emissoras de Rádio da Paraíba reuniu em Campina Grande na semana passada as emissoras associadas à entidade para discutir as pendências de pagamento do Governo do Estado.

Em ofício encaminhado ao Secretário de Estado da Comunicação a entidade comunicou que se intensificam as queixas das rádios associadas à ASSERP, sobretudo daquelas situadas no interior do Estado, em razão dos sucessivos atrasos e descumprimento das promessas de pagamento pelo Governo da Paraíba, não obstante as reiteradas solicitações das emissoras.

Nesse contexto, as emissoras de rádio deliberaram, em conjunto, não mais veicular os programas e mídias sob a responsabilidade da SECOM até que seja quitada parte da dívida em atraso, bem como se estabeleça um cronograma de pagamentos.

REPERCUSSÃO POSITIVA                                                                                
É bastante positiva a repercussão das primeiras ações da prefeita de Monteiro, Anna Lorena, que começa a sua gestão de forma dinâmica, reunindo a equipe e reafirmando que deseja muito empenho e união de todos, com ações integradas e soluções rápidas para as demandas da comunidade.

Os nomes anunciados como integrantes do primeiro escalão são bem avaliados pela população e no seu discurso de posse a prefeita afirmou que vai cobrar resultados.

TIRANDO O LIXO
Em Princesa Isabel, o prefeito Ricardo Pereira dedicou a primeira semana de trabalho, prioritariamente, à retirada de toneladas de lixo acumulado nas ruas, herança maldita deixada pelo ex-prefeito Dominguinhos. Tinha lixo até na calçada da Prefeitura.

Em seus primeiros pronunciamentos, o prefeito Ricardo Pereira afirmou que estará realizando também a operação tapa-buraco e já determinou providências para o pagamento aos funcionários municipais referente ao mês de janeiro dentro do mês trabalhado.

AMCAP
Muito acertada a escolha do prefeito Ronaldo Queiroz (Gurjão) como novo presidente da AMCAP – Associação dos Municípios do Cariri e Agreste Paraibano. Realizando um excelente trabalho como gestor de Gurjão, o prefeito tem tudo para fazer um brilhante trabalho dirigindo a entidade municipalista da qual tive a honra de ser Secretário Executivo durante 3 anos, nas gestões dos presidentes Braz Fernandes (Congo) e Arnaldo Júnior (Cabaceiras), quando a sede era em Serra Branca.

Aliás, tenho uma opinião pessoal de que nunca entendi o porque da transferência da sede da AMCAP de Serra Branca para Campina Grande.

VISITANDO A TRANSPOSIÇÃO
O mano Vimário Simões, professor da UFCG, esteve em Monteiro na semana passada e aproveitou para visitar as obras da transposição do rio São Francisco.
Ficou muito animado com o ritmo das obras e se incorporou aos que acreditam na chegada das águas do Velho Chico ainda este ano no açude de Boqueirão, para abastecer Campina Grande.

SAUDADE DE MONTEIRO
O monteirense Valdeir Morais, que se lembra das minhas cachaçadas com Biu Catita nos anos 70, nos escreve comentando sobre sua saudade de Monteiro e cita versos do pajeuzeiro Manoel Filó. O comentário de Valdeir nos fez lembrar de Filó, destacado no quadro COISAS & CASOS desta semana.
                                                                                                 
COISAS  & CASOS
Tive a felicidade de conviver um bom tempo com o poeta Manoel Filomeno de Menezes – Manoel Filó. Além das rodas de farra e de glosas em Monteiro e São José do Egito, estivemos juntos em festivais de violeiros de Arcoverde, Serra Talhada e Petrolina e dezenas de cantorias, ao lado de grandes figuras da cultura nordestina, como Zé de Cazuza, Zé Marcolino, Antônio de Catarina.

Dentre as inúmeras produções de Manoel Filó, destacamos o belíssimo poema no mote TODO DIA MUDA A COR / DO QUADRO DA MINHA VIDA:

Preso a forte nervosismo
Sinto duras agressões
Me tangendo aos empurrões
Para os confins do abismo
Por falha no organismo
Meu coração já trepida
Minha mente poluída
Passa um filme de terror
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida.

Para os trabalhos normais
Me considero indefeso
Ontem suspendi um peso
Que hoje não posso mais
Já demonstrando os sinais
Duma coluna pendida
Que só será corrigida
Se a idade também for
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida.

Eu nunca consegui ter
Um palacete encantado
Mas mesmo sacrificado
Sempre gostei de viver
Só não acertei fazer
Uma tinta garantida
Que sempre, ao ser removida
Desse o brilho anterior
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida.

Como a velhice é malvada
Perto do fim da viagem
Me atrapalhando a miragem
Nos grutilhões da jornada
Já vou minguando a passada
Igual a onça ferida
Que aceita ser socorrida
Pelo monstro caçador
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida.

Raramente vou à missa
Quando volto, é sem coragem
Que mesmo curta a viagem
Gera cansaço e preguiça
A dentadura postiça
Me deixa a fala espremida
Até a própria comida
Desequilibra o sabor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida.

Meus tempos de mocidade
Deus não consente voltar
Eu não consigo passar
Sem ser vítima da saudade
Com o pincel da idade
Minha pele foi tingida
A feição diminuída
Como o verão faz na flor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida.

Nos tempos da meninice
Comecei pagando um ágio
Não me livrei dum naufrágio
No temporal da velhice
Tudo que o mundo me disse
Teve a verdade medida
O sol da minha partida
Já vai perto de se pôr
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida.

Contatos com a coluna: simorionmatos@gmail.com

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