28/02/2017

Coluna Olho Vivo

Por Simorion Matos
                                                             
TRAÍDO PELO PRÓPRIO PARTIDO
Está ficando cada vez mais difícil a permanência do 3º deputado mais votado na Paraíba, João Henrique, no Democratas (DEM).   

Na semana passada o presidente do Diretório Estadual do DEM, Efraim Morais, fez a indicação do suplente Raoni Mendes para integrar a Comissão de Orçamento, a segunda mais importante do parlamento estadual. A indicação fere frontalmente o Regimento Interno da ALPB, pois somente é possível a indicação de deputado com mandato, não sendo permitida a indicação de suplente.

A indicação do DEM coloca em rota de colisão o suplente com o titular João Henrique, que estranhamento não tem encontrado apoio do seu partido na pretensão de assumir o posto de presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), de acordo com o que ficou acordado durante a eleição para a Mesa Diretora.

Nas eleições de Adriano Galdino e Gervásio Maia para a presidência da Assembleia Legislativa, o deputado João Henrique seguiu rigorosamente a orientação do DEM e votou em ambos, mas estranhamente está agora sendo preterido pelo seu próprio partido.                                                                                                                           
BATINGA NO PREJU
O ex-vereador Paulo Sérgio (PP), que foi candidato a vice-prefeito de Monteiro ao lado de Juraci Conrado (PSB) sendo derrotado na eleição de 2 de outubro, anunciou recentemente o seu apoio ao deputado Genival Matias (PT do B) nas eleições de 2018, quando o parlamentar de Juazeirinho pretende concorrer mais uma vez a uma cadeira na Casa de Epitácio Pessoa.

A posição de Paulo Sérgio foi uma surpresa para partidários de Carlos Batinga, que acreditavam no apoio do ex-vereador ao ex-deputado monteirense, uma vez que estiveram juntos na eleição municipal.
                                                    
MAIS BARES
Na semana passada, no nosso quadro Coisas & Casos, lembramos os maravilhosos bares que serviram de palco para o espetáculo de vida dos boêmios monteirenses do meu tempo.

Pelo peso dos 63 anos no lombo, muitos deles vividos nas farras, cometi o doce pecado de esquecer alguns, lembrados por grandes conterrâneos que nos honram semanalmente com a leitura da nossa modesta coluna.
Holdair Martina lembra o bar de Argemiro e sua deliciosa traíra. Professor Gomes lembrou o bar de Santinho e o café de Pedro Fogão. E o poeta Nal Nunes, que já foi o vereador das mulheres abandonadas juntamente com Piaza, lembrou o Bar de Maria Fiapo e o Bar de Dapaz.

Feito o registro, renovo o pedido de desculpas pela falha.

OPOSIÇÃO DIVIDIDA X SITUAÇÃO UNIDA
Pelo que se observa na movimentação política de Monteiro, existe hoje uma grande diferença no comportamento dos grupos de situação e de oposição. A oposição tem vários blocos, cada um seguindo a orientação do seu chefe e apoiando um nome do seu interesse. Enquanto Conrado apóia um deputado, Paulo Sérgio apóia outro. Entre os vereadores e outras lideranças de oposição não existe um consenso quanto ao apoio de algum nome, é cada um por si.

No grupo da situação existe o comando do deputado João Henrique, e todos os apoios convergem para o seu nome para deputado estadual.
Talvez essa diferença entre um grupo dividido e outro grupo aglutinado seja uma das explicações para a acachapante derrota sofrida pela oposição na eleição municipal passada, quando a diferença de Lorena para Conrado foi de quase 3 mil votos.
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SAUDADES DA TERRINHA
De Cuiabá no escreve o monteirense Rivaldo Carlos Bezerra, filho de Tutu, parabenizando as nossas colunas sobre fatos históricos de querida Monteiro.
Toda semana ele ameniza a saudade da terra querida, lendo os artigos. Nós é que agradecemos aos milhares de monteirenses ausentes que acompanham o que escrevemos sobre a nossa Princesa do Cariri.

PENSAMENTO DA SEMANA:
“Como é perigoso libertar um povo que prefere a escravidão!”
(Nicolau Maquiavel)

COISAS & CASOS

Cícero do Norte: o leão que virou jacaré

Em tempo de carnaval, vamos recordar Cícero do Norte, uma figura extraordinária que todos os anos saía com o seu bloco pelas ruas de Monteiro. O detalhe era que a cada ano o bloco tinha um nome diferente. Ele era também conhecido como “Leão do Norte”. Farrista bonachão e amigo de todos, certo sábado de carnaval acertou no milhar no jogo do bicho feito na banca de Seu Bida e, à noite foi para o bar de Maria Fiapo, cheio de dinheiro. Começou a pagar bebida pra todo mundo, dizendo que a farra iria até o dia amanhecer.                                                                                                                                             
Naquele tempo existia uma ordem que os bares eram obrigados a fechar à meia-noite. Pertinho da hora marcada, a dona do estabelecimento chamou Cícero e advertiu:
 - Vamos somar a conta e parar, que a polícia tá já chegando pra dar o “tranca”.
 Cícero olhou com a cara abusada e dançando uma gafieira com a cabeça encostada no cangote de Teonila, sentenciou:
 - Maria, hoje é carnaval e quem manda aqui é o leão do norte, traga mais cerveja que nós vamos amanhecer o dia.
 E a farra continuou. Por volta de uma da madrugada chega a polícia, com uma patrulha comandada pelo rigorosíssimo Sargento Marcos. Aborrecido porque a ordem do “tranca” não havia sido cumprida, o sargento deu um carão na proprietária, mandou fechar o bar e determinou que todos fossem embora.
 Já pra lá de Bagdá, Cícero do Norte, empolgado e rodeado por 4 senhoritas, disse que não saia.
 Não deu outra. Sargento Marcos deu voz de prisão a Cícero, colocou o leão no jipe da policia e o conduziu ao xadrez. Chegando à cadeia, deixaram o boêmio só de cueca, deram-lhe um banho em plena madrugada e encheram a cela de água.
 De manhã chega o delegado, tenente Brasil, e pergunta ao carcereiro, Severino Carrabé, se tem algum preso novo.
 - Tem tenente, de madrugada trouxeram Cícero do Norte, que tava numa beb edeira depois da hora do “tranca”.
 O tenente Brasil era novato em Monteiro e não conhecia Cícero pessoalmente. Conhecia pela fama de boêmio. Por conta do apelido de “leão do norte”, pensava que era um sujeito “parrudo” e valente. 
 Na frente da cela, o delegado deparou-se com um Cícero do Norte fragilizado, com ressaca e só de cueca, molhado e tremendo de frio.
 - Como é o seu nome? – perguntou o tenente.
 - Cícero Moreira da Silva, conhecido por Cícero do Norte.
 - Ah... então você é o famoso Leão do Norte... completou o delegado.
 Cícero baixou a cabeça e sapecou:
 - Eu era o leão, delegado, mas nesta situação que me deixaram aqui, eu agora sou um jacaré...
Vendo que Cícero não tinha nada de violência e apenas havia tomado uns goles a mais, o tenente sisudo fez um ar de riso, mandou abrir o xadrez, dizendo:
- Veste a roupa e vai pra casa, leão, que tua jaula é outra. 


Contatos com a coluna: simorionmatos@gmail.com 

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