23/04/2017

Coluna OLHO VIVO

Por Simorion Matos

FORRÓ SERTANEJO

Com todo respeito aos que pensam de forma diferente, considero equivocada a idéia de algumas pessoas criticarem a programação do São João de Campina Grande, pelo fato de incluir grandes nomes da música sertaneja e outros ritmos e gêneros. Há quem condene a participação, por exemplo, de Joelma, Simone & Simaria, Thaeme e Thiago, Alcione, Léo Magalhães, Bruno e Marrone, Maiara e Maraisa, Luan Santana, Wesley Safadão, Italo e Renno, Henrique e Juliano, Fernando e Sorocaba.

Não devemos esquecer que, na programação campinense, estarão presentes grandes nomes da música nordestina, como Flávio José, Walkyria Santos, Mano Walter, Dorgival Dantas, Saia Rodada, Ton Oliveira, Sirano e Sirino, Brasas do Forró, Eliane, Amazan, Solteirões do Forró, Elba Ramalho, Vicente Nery, Capilé, Aviões do Forró, dentre outros.

Quem conferir a programação verá que não foi retirado o forró. O evento estará permitindo uma mistura de ritmos e estilos musicais, de forma a contemplar todos os gostos e idades. Na principal noite, 23 de junho, estará no palco nada menos do que a rainha Elba Ramalho.

SEM DISCRIMINAÇÃO

Nós, nordestinos, sempre nos consideramos discriminados no Sul e no Sudeste do país, em termos de divulgação e abertura de espaços para a nossa cultura. Se reclamamos da discriminação, por que nos achamos no direito de discriminar os artistas de outras regiões? A música é universal, não deve ter fronteiras. Não podemos esquecer que os maiores ícones da música nordestina, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, tiveram como principal centro divulgador o Rio de Janeiro. Sendo artistas nordestinos, não foi no Nordeste que o Rei do Baião e o Rei do Ritmo iniciaram a projeção no mundo artístico, mas no Rio de Janeiro, onde a música nativa não é o forró e sim, o samba. Se a terra do samba abriu espaço para o forró, porque a terra do forró não pode abrir espaço para outros ritmos e estilos?
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SEM LIMITES GEOGRÁFICOS

Para termos uma idéia do quanto a música é universal e não deve ter limites geográficos, há 50 anos um artista monteirense criou em Brasília o Trio Paranoá, divulgando a música nordestina. Nino de Braçanã, sobrinho de Dona Filó e primo de Cici, irmão de Veinho e de Marluce, instalou na capital federal o Forró do Nino. Gravou discos e fez muito sucesso.

Recentemente, assistimos pela TV, no Programa do Ratinho, o Rei do Xote, o nosso Flávio José, cantando forró ao lado do Gaúcho da Fronteira, artista do Rio Grande do Sul.

É a música, em todas as épocas, se integrando nacionalmente.

ATÉ O PADRE

Entre os que criticam a programação do São João de Campina Grande, alguns condenam até mesmo um show do padre Fábio de Melo, que deverá acontecer numa terça-feira, dia 20 de junho.

Sabendo disso, o beato Vicente resmungou, comentando: - Oxente, se a festa é para um santo, está muito certo ter um show do padre, cantando os seus benditos.

NO MESMO PALANQUE?

Há quem diga que na política nada é impossível. Dentro desse prisma, nos bastidores já existe gente admitindo que o ex-deputado Carlos Batinga e o deputado João Henrique poderão estar no mesmo palanque, nas eleições estaduais do próximo ano. Embora nenhum dos dois líderes tenha feito qualquer declaração nesse sentido, especula-se essa possibilidade por conta de que existe uma tendência muito forte sobre uma possível aliança entre o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, com os senadores Cássio Cunha Lima e José Maranhão. Comenta-se que, hoje, Batinga seguiria Luciano Cartaxo (de quem é Secretário) caso ele fosse o candidato ao governo estadual, enquanto João Henrique segue a orientação de Cássio e tem bom relacionamento com Maranhão. Os senadores poderiam apoiar Cartaxo.

Ferrenhos adversários, Batinga e João Henrique já estiveram juntos pelo menos na hora de carregar o andor da santa padroeira de Monteiro. Ninguém sabe se essa fé fervorosa servirá para colocá-los lado a lado, também, numa disputa política.
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FLAMENGO NO CARIRI

É louvável e merece todo apoio a iniciativa de se viabilizar o funcionamento no futebol profissional do Flamengo Paraibano, com sede em Sumé. O Estádio Jacintão é muito bom e, com poucas complementações, poderá sediar bons jogos.

Se a proposta é manter equipes de base, com objetivo de revelar jogadores, a idéia é excelente. O calo é disputar o campeonato paraibano da primeira divisão, uma competição inviável financeiramente.

Com a experiência adquirida na direção da Socremo, vimos o quanto é oneroso fazer futebol profissional na Paraíba, onde não se consegue grandes patrocinadores, as rendas dos jogos são pequenas e a FPF não oferece premiação.
O Flamengo Paraibano já tem a seu favor a torcida, por tabela, dos simpatizantes do melhor time do mundo. Por outro lado terá a torcida contrária de vascaínos e botafoguenses.    

PENSAMENTO DA SEMANA:     
                       
“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”.
Oscar Wilde   

COISAS & CASOS

Monstros sagrados do repente, Pinto do Monteiro e Lourival Batista se enfrentaram em grandes desafios. Numa oportunidade, Pinto assim improvisou:

Eu andando certo dia
Nas terras do Seridó
Tive o prazer de almoçar
Na fazenda de Codó
Comi até me fartar
Da traíra o mocotó

Lourival Batista lembrando que traíra é um peixe, respondeu:

Houve muitos pescadores
De Adão até Jacó
De Jacó até Moisés
De Moisés a Faraó
Mas nunca houve quem visse
Traíra com mocotó

Pinto, com rapidez no raciocínio, disse:

Era uma vaca cotó
Lá da fazenda Passira
Mataram e eu comi dela
A qual chamavam Traíra
Agora você me diga
Se é verdade ou se é mentira

Certa vez Lourival observando a roupa de Pinto, terminou uma sextilha dizendo:

 "Pinto você canta muito/
E a roupa não vale nada".

O cascavel do repente respondeu:

É verdade camarada
O que você tá dizendo
Eu costumo andar assim
Sujo e cheio de remendo
Mas ninguém diz onde passo:
- Pinto ficou me devendo

Nesta mesma cantoria Lourival termina uma estrofe:

 "Meu verso é um bacamarte/
Nas mãos de um sujeito afoito".

Pinto com maestria responde:

O meu é um trinta e oito
Na mão de um cabra valente
Bola cheia, cano longo
Queixo atrás, mira na frente
O queixo quebrando as balas
E as balas matando gente

Noutra peleja, Lourival termina uma estrofe dizendo:

"Você  não serve pra nada
 É pinto que não se zanga"
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Pinto responde com raiva:

Pois se vire numa franga
Que eu quero pegá-lo agora
Os pés sustentando o corpo
As asas fazendo escora
O bico ferrando a crista
O resto eu digo outra hora

Contatos com a coluna: simorionmatos@gmail.com


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